quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

http://demografiaunicamp.wordpress.com/2013/10/30/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes/

Para quem não leu o artigo: temos aqui um exemplo de análise que ocorre dentro de uma chave “funcionalista”, isto é, se dá dentro da perspectiva da capacidade de um indivíduo ser feliz exercendo uma “função” na sociedade produtiva. O argumento mostra as diferenças entre a visão de mundo, focada na educação dos filhos, que regeu os anos 20 e 50. Parte do pressuposto de que nos anos 20, a felicidade é uma espécie de “bem” que se conquistava à custa de suor e sangue durante muitos anos, até que uma carreira profissional se consagrasse e provesse um ” gramado verde”. Com isto, a educação se pautava pela ideia de que era preciso crer no “desenvolvimento pessoal” e almejar ter um “gramado mais belo do que o dos pais”. A consequência foi a suposta geração Y = YUPPIE = JOVEM PROFISSIONAL URBANO. Pois bem, segundo o argumento, criou-se assim uma geração que sente-se “mais do quê os pais”,de tal modo que, inflados os egos, o céu é o limite, posto que o “desenvolvimento pessoal” foi sem precedente e a aquisição de competências foi o “máximo”. Mas a felicidade não foi alcançada pelos Y. Por que? “Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim…” responde o texto. Segue o argumento contrapondo a expectativa dos Y em relação ao sucesso de suas carreiras e o tempo que isto demanda, razão pela qual se justifica serem “infelizes”. Curiosamente cita o texto: “Depois da fase de hippies insofríveis…”. Trecho entremeado por “Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis.” e “os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.”. Aqui se encontra a chave política do argumento, quando ignora-se todo o esforço dos “insofríveis” criticando justamente o modelo de educação “oficial” que recebia a geração Y!!! Esforço este que se encontra nas ideias de “hippies” como Bertand Russel e Herbert Marcuse, filósofos, e mais outros tantos da Escola de Frankfurt. Cito “Na década de 1960, dessa forma, o mundo conheceu o principal e mais influente movimento de contra cultura já existente, o movimento Hippie. Os hippies se opunham radicalmente aos valores culturais considerados importantes na sociedade: o trabalho, o patriotismo e nacionalismo, a ascensão social e até mesmo a “estética padrão”. Mas o interessante no artigo é a classificação “insofríveis”. Seriam os hippies “insensíveis”? Seriam “alienados” à natureza de si mesmos e dos outros? Ora, um pouco de inteligência e isenção aplicadas com um mínimo de racionalidade mostra exatamente o contrário. É frenesi atual a busca pela “educação corporativa” na qual a geração Y encontrará a “formação multidisciplinar”, “vivências pluridimensionais” e mais tantos outros sortilégios, que assegurariam capacidades para “competir com mais eficiência e exercer de modo criativo suas funções nas corporações”. E o que é esta tentativa senão criar uma espécie de “fast knowledge” que esteja temperado com alguma “sensação de liberdade” como a que experimentavam os “insofríveis”, a saber, a ausência de um padrão a seguir, a inovação e criação de relação entre pessoas e coisas, a negação de limitações pessoais e o salto no transpessoal (vide Wilber e sua psicologia integral), enfim!!!! Porém, se a proposta parece dar a “razão” ao que pregava a contracultura, o artigo “aconselha” a geração Y a: 1) Continue “ferozmente” ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste. 2) Pare de pensar que “você é especial”. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo. 3) “Ignore todas as outras pessoas”.(!!!!!!!!) Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros. Fim dos “conselhos”! Temos assim a sugestão de que para ser um Y “feliz”: você deve ferozmente disputar a vida profissional a qualquer preço por um longo tempo; e deve fazê-lo ignorando suas singularidades pessoais, afinal você é só mais um na corporação; e finalmente: não sofra, ignore o semelhante, ele não vale a pena em sua carreira, o que importa é ser feliz sozinho! A quem interessa este tipo de felicidade?